4.3.04
 
Se você vier me perguntar por onde andei...
An-ham.

13.1.04
 
Tanto tempo sem escrever, né?
Os últimos dias, talvez de uns dois ou três meses pra cá, têm sido de muito pensar sobre a vida, fazer planos, esquecê-los, pesar importâncias, questionar valores, analisar as justificativas que eu me apresento para ser como sou, fazer o que faço, dizer o que digo. Momento mesmo de confrontar o discurso - mais ou menos interno - com a realidade que se manifesta nos gestos, nos atos falhos, na sinceridade que me escapa ou que não se pode ou quer controlar. Sem o lirismo dos sonhos que quero sonhar toda noite (porque é mais fácil esperar por um idílio do que transformar o mundo desperto), sem a carapaça do dizer bonito na falta de público, me peguei caindo em armadilhas que deixei pelo caminho percorrido desde quando resolvi me conhecer melhor: recursos de defesa, mecanismos de auto-engano que sustentavam minha fraquezas disfarçadas em aprendizado, coisas que eu não queria enfrentar - e tinha esse direito, mas agora pago o preço de descobrir tardiamente, mas não sem volta, que o prazer que escrever me dá está esfacelado nesse formato de blog. Pensei em voltar, em fazer um leiaute diferente para um blog novo, pensei em assinar meu nome e pensei em parar mais uma vez. A única conclusão a que cheguei é que deixei de escrever pelos motivos que mais importavam: sem a leveza descompromissada do primeiro blog, não precisando mais de toda a auto-análise do que (muito propriamente) chamei primogênito, esquecendo a alegria já meio pretensiosa do gente, chegando ao preciosismo condicionado e quase forçado deste plurilexical.
Não posso viver sem escrever, não quero. E gosto, sim, de brincar com a Língua, de explorar as possibilidades de literatura e poesia que me ensinaram ou descobri. Digam e pensem o que quiserem, eu não faço (mais) para os outros - e por isso posso refutar, porque identifico as fases quando precisava de reconhecimento, aplauso, quando queria ser admirado. Não que tenha deixado de querer encantar, seduzir: de jeito nenhum! Mas tô sentindo carência de sentimentos mais próximos, com carinhos e lágrimas menos virtuais, com rostos e cheiros e olhos nos olhos. Cara a cara. Telefone, até, eu me rendo. O computador vem perdendo espaço para o cinema, o bar, a cama (sozinha, por enquanto), o riso partilhado em real time e real space, sabe? A internet me trouxe muita gente querida, muitas surpresas inestimáveis, eu nem saberia agradecer. Mas cansei de um certo jeito show off que vinha se instalando no blog, pouco condizente com meu estado de espírito hoje, nada tradutor do que anseio (se me compõe, que não me determine, pelo menos). Cansei das minúsculas, dos recados, das fórmulas, das intenções veladas. Cansei de me sentir parte de um sistema viciado em códigos e comodamente limitado a eles. Cansei das meias palavras, por isso volto ao diário e à caneta: meus registros vão ficar guardados do vento e de olhos que não sejam os meus. Não estou parando com o blog - é apenas um intervalo para organizar os horários: sono, cadimia, biodança, leituras, outros projetos. Se bater saudade, você que leu até aqui provavelmente sabe como me achar, e ainda vou checar meus e-mails com alguma regularidade.
Como Whitman não larga do meu pé, ainda sou imenso e contenho multidões, ainda me contradigo, pois muito bem, eu me contradigo: de repente, uma hora dessas dou o ar da graça por aqui, tá?
Até lá, um abraço, um laço, um beijo daqueles! E juízo, hein?

P. S.: E olha que lindo: 13.01.04 - somando os dígitos dá 9, meu número! Coincidência, talvez. Mas a gente também escolhe no que quer acreditar, certo?
;-]

7.1.04
 
é absolutamente frustrante não poder escrever na hora em que sinto vontade. maldita tecnologia, capitalismo do caralho, merda de repressão no escritório! dá vontade de sacar uma bazuca e sair detonando tudo.
e eles acham que assim, com meia internet, a gente produz melhor...
nos EUA eu processava todo mundo por tolherem minha liberdade de expressão. aqui, sofro resignado.

6.1.04
 
eis que várias novidades, ou talvez só uma, mas são muitas pelo que significa: me matriculei na academia! é, de ginástica! e, como eu dizia agora há pouco, esse não é o fim, mas o meio para chegar a um objetivo que a sil sabe muito bem qual é. para o segundo semestre, mais assunto.
e por falar em assunto, como é bom conversar muito com um amigo encontrado na sorte! dez latinhas de cerveja, azeitonas pretas, queijo reino e castanhas de caju, leny eversong e carmen lundy embalando a noite, os melhores papos sobre trepadas, amorzinho e sociedade: ele, um quase budista; eu, pobre menino. mas foram quatro horas extremamente agradáveis - ah, se toda visita fosse assim!
e hoje ainda mandei texto bonito pra mana, escrevi de peito a uns poucos e bons, pendurei um obelix nas chaves, pesquisei mais e mais por grupos de biodança - em vão. mas fico feliz por sentir que os projetos vão-se engrenando; que, talvez pela primeira vez na minha vida, as vontades passam de sonhos a metas e delas virão as conquistas.
pois agora eu só penso em possíveis amigos com quem eu teria liberdade de ligar para combinar de aliviar a tensão do dia e o tesão da hora. muito moderno, isso, não sei se dou conta... mas que é saudável, isso é.
e onde é que eu vou almoçar aqui?
(vixe, acho que estou meio bêbado...)

 
e aninha, eu ando pouquíssimo inspirado...

 
angelina jolie. que mulher linda.

5.1.04
 
vixe...
eu não entendo mais nada nesse mundo. e terça-feira vem aí!

* * *


renata gomes, eu te amo e tô morrendo de saudade de ti!

* * *


balla, teca e gabby, idem.

* * *


quero muito visitar salvador ainda nesse ano, mas antes vou ao rio e a brasília. próximo final de semana e março, respectivamente.

* * *


amanhã - ou daqui a pouco - é o primeiro dia de fato do ano das boas novas. cansei de não ter novidades para contar quando vou para casa de férias.

* * *


e o popó, hein? grande garoto!

* * *


pois não é que eu encontrei aquele que não deve ser nomeado hoje? cordial, quase simpático, so less charming. ah, o tempo...

* * *


às vezes penso que queria ser castrado, só para não sofrer com esses hormônios.

4.1.04
 
estou em casa, e é absolutamente incrível o quanto isso pode ser confuso.

* * *


não tinha me dado conta da falta que uma tarde de sábado na benedito me faz.

* * *


eu vou para o céu, pode escrever.

* * *


não gosto de telefone, mas adoro surpresas! ;-]

* * *


e a resposta é sim.

2.1.04
 
o ano começou, as férias estão acabando e eu falo e conto e escrevo tudo depois talvez, mas já deixo um recado para todas as pessoas (são muitas, são poucas, são vocês que sabem quem são) que eu levantaria no ar e giraria num abraço sem tempo, uma declaração escrita com dedos de vento no meu peito peludo e bronzeado para registrar o que, sendo sentido, há de ser mais e mais demonstrado:
se a gente não divide tantos momentos quanto a vontade pede, é porque há muita vida esperando da gente e a gente se perde um pouco às vezes sem (se) dar conta de um tempo que no futuro poderia parecer perdido, mas ele é sempre ganho, na verdade.
eu me orgulho do amor que sinto (indo e vindo) e quero te dar pelo menos um abraço inesquecível em 2004, para a gente guardar essa foto linda no álbum que a gente olha com carinho quando chove lá fora.
vou sentir saudades, vou adorar os reencontros, vou morrer mais um pouco a cada dia por estar e por não estar também, mas olha que beleza: é um espelho!
então até daqui a pouco, tá?

23.12.03
 
oi-ê!
então.
eu estou VIVO, muito vivo, vermelho feito carvão em brasa, mas caminhando para o tom (e a forma) de brigadeiro, bebendo muita água de côco e cachaça, comendo muito baião-de-dois, carne-de-sol, tapioca, rapadura e caju, encontrando muitos amigos, morrendo de saudade de (e pensando muito em) lula, suy, gabby, teca, , dani, ana, rafa, gui, bertinho, beth, fabi (é, você mesmo), sam, clau, guiu, , lu e mais muitas e muitas gentes tão queridas (gata mais gata do meu coração, molinha nojenta, penso em ti todo dia!) de quem lembro pelos motivos mais óbvios ou por simples vontade de dividir alguns momentos nessa minha terra amada, idolatrada, salve, salve!
por cá, tudo azul feito o céu imenso que quase se mistura com o mar onde lavo a alma e salgo o corpo. daqui a pouco, acordo do sonho e boto os pés no chão de novo - mas até lá, mando beijos aqui do alto e peço desculpas a todos por não mandar notícias nem cartões postais, que esqueci de pegar endereços e ainda quero distância de computador.
mas eu já volto, e o amor é sempre.
cuidem-se, pessoas! um lindo natal e que 2004 comece com muitas cores!

p. s.: já estou lendo o quarto livro das férias (neverwhere, do neil gaiman), êba! se deus, quiser, chego pelo menos aos seis!

8.12.03
 
pois é, eu estou de F - É - R - I - A - S!!!
é uma sensação de liberdade tão boa que o porre de ontem nem deixou ressaca, e ainda estou acordado e inteiro, apesar da correria sem fim para aprontar tudo antes da viagem: mil desculpas a todos os amigos com quem não consegui falar ou que não deram sorte de me achar para um último abraço no ano e um merecido puxão de orelhas. 2004 vai ser mais fácil desde o começo, garanto!
e agora que arrumei as malas, separei os livros e cds, vou rodar 3100 km para torrar na praia e matar umas saudades. recarregar as baterias com a melhor energia.
meu celular vai estar desligado, não vou checar e-mails, talvez dê notícia aqui. mas prometo que vou lembrar e torcer por todo mundo enquanto aproveito meu ócio.
beijos, amassos, tudo em geral para quem mais chegar e quiser, que eu tô feliz feito pinto em bosta, viu? e por hoje é só, pessoal!
;-]

5.12.03
 
nem tão curtas nem tão rápidas

estou me empolgando com esse negócio de botar títulos nos posts. me lembro das redações de colégio, quando todos os professores diziam para escrever primeiro e dar o título depois... eu nunca obedeci: passava uma hora inteira pensando um nome pra novela para então desenrolar os capítulos. e ainda prefiro do meu jeito.

*


não gosto de histórias pela metade. ou em pedaços.
sou curioso e careço de começo, meio e fim, mesmo que eu os construa. mas, para isso, preciso de um mínimo de subsídios, que, se fosse para fantasiar sozinho, escrevia calado e surdo no meu caderno. então, ou conte logo tudo de uma vez ou não me encha o saco.

*


impressão minha ou tenho proporcionado uns encontros, digamos, fortuitos?

*


não entendo porque você, depois de descobrir que ainda estou na rua, não liga no tal do meu celular (pois é, aquele número de cima no guardanapo não era um cpf)... se quer falar comigo, mexa-se! se não, suma de uma vez e pronto. mas não me deixe nessa expectativa ruim: eu me empolgo ligeirinho, mas desencano com uma facilidade que só vendo...

*


docinho, sinto muito a tua falta aqui perto de mim.

*


hoje ouvi um termo ótimo: "amizade conta-corrente", para definir essas relações baseadas em créditos e débitos, do tipo você-está-em-dívida-comigo. do tipo que eu não quero. do tipo que, apropriando o chavão, ninguém merece.

*


você já leu deuses americanos, do neil gaiman? eu recomendo.
ouvindo deep forest, se possível.

*


peixe me dá sono, vinho me dá sono, o hotmail me dá sono.

*


não estou mais parecendo o bozo, mas, considerando o tanto que eu comi nesse jantar, tenho certeza de que o ibama vai me resgatar no litoral cearense. e os jornais vão noticiar, na página 7: leão marinho encalhado é devolvido ao mar.

*


daqui a pouco, FÉRIAS!!!

4.12.03
 
awakenings: quando um degrau é muito alto e dificulta a passagem, escolher outro caminho pode ser mais sensato que insistir na lida.
chuchu, obrigado. vou tentar não esquecer disso.

 
momento adoro/odeio:
adoro dar aula de português;
odeio garganta inflamada;
adoro escrever;
odeio chuva inesperada;
adoro tracy chapman;
odeio lavar calça jeans na mão;
adoro cortar o cabelo;
odeio ter que escrever;
adoro óculos (os meus e nos outros);
odeio suar como se estivesse no marrocos (em fortaleza, vou adorar);
adoro trocar mil e-mails por dia com clara;
adoro saber que sou igualzinho à bia;
adoro ver que as feridas cicatrizaram;
adoro pensar mensagens de natal para a secretária eletrônica com a roomate;
adoro ficar sem celular de vez em quando;
adoro teca na academia, contando como funciona, porque assim vou-me preparando aos poucos para o martírio;
adoro sentir saudade do gui;
e do hugo;
adoro não ter pendências no trabalho;
adoro quando faltam (bem) poucos dias para beijar a barriga da minha mãe;
adoro purê de batata;
adoro chocolate, adoro, adoro, adoro;
odeio dieta, espelho e abdômens definidos;
adoro incenso de pêssego;
e adoro adorar muito mais que odiar, ufa!

(essa última foi super turma da moranguinho, né? pois é.)